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Vida de garçom

Minha nada mole vida de garçom’: entre o cliente chato e as cantadas, eles são felizes

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Psicólogo, amigo e rei da tolerância. Esses são alguns dos principais adjetivos quando se fala em um garçom. Trabalhador ‘invisível’ para muitos, o cara é realmente um profissional de mil faces, e qualidades, afinal, aturar gente ‘chata’ no bar ou na balada não é uma tarefa fácil.

O Dourados News foi conhecer um pouco mais sobre a função de perto, em um bar e uma balada da cidade. Em uma ‘terra’ onde um ‘obrigado’ faz a diferença e é cada vez mais raro, se engana quem pensa que a vida de garçom é moleza.

Há 25 anos na função, Paulo Luiz Milani, 49, diz que é feliz com o que faz. “Tem gente que não vê a função como uma profissão, mas eu sempre vi. Me dedico a atender as pessoas muito bem, porque todo mundo gosta de ser bem servido, até eu! (risos)”.

Como bem diz o cantor Reginaldo Rossi na famosa música, na mesa de bar, Milani já cansou de escutar centenas de casos. Sejam eles de amor ou não.

“A gente acaba desenvolvendo uma amizade com muitos clientes. Muita gente está com problema, quer desabafar, pede opinião. Me sinto quase um psicólogo. É verdade que o garçom acaba sendo o muro das lamentações de muitas pessoas”, disse ele, aos risos.

Mas, nem tudo são flores. Quando questionado sobre o que é mais difícil, o garçom veterano pensou, pensou, pensou mais um pouco, e acabou revelando.

“Tem cliente que acha que somos escravos, senta aqui, e começa a descontar todos os problemas da vida em você. A gente acaba contornando, eu sempre respondo falta de educação de quem me trata mal com o melhor atendimento e a maior educação do mundo, acho que é um bom troco”.

E a história de ter que ser amigo do garçom para não acabar sofrendo com ‘vingança’ no atendimento, é verdade? Milani garante que com ele e com o time que trabalha não, e acredita que pode até existir o ‘garçom zuador’, apesar de achar bem difícil.

“Eu não me vingo e meus colegas também não. As pessoas podem e devem ser amigas do garçom, é um trabalhador, um prestador de serviço. Não precisa fazer agrado com medo de ter um atendimento ruim”.

E a gorjeta? Rende? “Para mim é boa, sempre dão, apesar que a famosa taxa de serviço deu uma travada. Antes era mais, hoje as pessoas não se sentem obrigadas a fazer a gentileza porque estão pagando a taxa”. Já sobre assédio e cantada, o garçom desconversou. “Não mais, já foi-se o tempo (risos)”.

Por fim, Milani diz que a única coisa que incomoda de verdade, diariamente, é quando alguém o trata como se fosse realmente o Homem Invisível.

“Tem gente que você diz boa noite, a pessoa não responde, e quando sai também não rola nem um obrigado. Isso mata, é uma droga. Fica a dica!”, disse ele.

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Totalmente diferente de ser garçom de bar e restaurante, é a atividade de ser garçom de balada. Augusto Luís Zangrando, 18, está na função desde o início do ano.

Estudante de engenharia de energia da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) e natural do interior de São Paulo, ele veio para Dourados – onde mora em uma república – justamente por causa da faculdade, e viu no posto a opção de unir o útil ao agradável, assim como fazem muitos dos acadêmicos que vivem na cidade.

“Eu nunca tinha trabalhado nessa função e acabei vindo por causa de uma colega da faculdade que falou da vaga. Eu gosto, é um ambiente de trabalho com o qual eu me identifico, e ainda tiro uma grana para ajudar nas despesas”.

Balada é sinônimo de gente que busca diversão e que bebe, e bebe bastante, ou seja, faz muito uso do serviço do bar. Na casa onde Augusto trabalha, há ainda o serviço de garçom na pista, o que acaba aproximando ainda mais ele dos clientes, tanto os ‘gente boa’, quanto os chatos.

“Balada é assim, a gente já é preparado para lidar com os mais alterados, mas nunca tive problema. Realmente tem algumas pessoas que pensam que garçom é escravo, mas sempre me dei bem. Pegamos amizade até, conheci muita gente na cidade”.

E a pergunta que não quer calar: no meio dos ‘mais alegres’ da noite, rola assédio? Solteiro e tímido, Augusto deu risada quando ouviu a pergunta, mas revelou que sim.

“Da mulherada rola sim. A gente ouve muitas coisas, tipo aquelas que pedem para ter um atendimento especial, ficam elogiando, perguntam se não quero ir servir fora. Mas, aqui dentro é meu trabalho, então contorno a situação bem (risos)”, disse ele, que não negou que tanto para cantada, quanto para todas as situações que envolvem atender os baladeiros, já aprendeu um lema. “Paciência, muita paciência e dedicação para atender a galera do melhor jeito possível e todo mundo ficar feliz”.

Fonte: http://www.douradosnews.com.br

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